Guia para curtir Paraty como um local

Paraty é uma cidade histórica colonial, mas que une vários outros atrativos: praias, cachoeiras, gastronomia de ponta e muitos eventos culturais ao longo do ano.

Foto: Fábio Collares

Eu tive a minha primeira experiência Worldpackers (troca de trabalho por hospedagem e alimentação) em Paraty e fiquei quase um mês por lá vivendo como local, sem contar as outras 5x que fui. E agora vou compartilhar todas essas informações com vocês em primeira mão! 🙂

Como ir

O melhor jeito é ir de carro, porque as praias e cachoeiras de lá são um pouco longe, então ter um carro te faz ganhar tempo e autonomia. Mas dá pra se virar sem carro lá! O ônibus saindo do Rio para Paraty leva cerca de 4h30 e custa R$83,00*. Você pode consultar os horários e comprar a sua passagem com antecedência por aqui. Você pode procurar caronas também pelo BlaBlaCar ou no grupo de caronas do Facebook!

* Preços checados em Janeiro de 2017

Quando ir

Paraty tem uma agenda cultural muito intensa, então ao longo do ano são vários festivais interessantes pra ir: de música, de fotografia, literatura e até de cachaça 😛

Fiz um post separado sobre isso, com as datas de 2017, informações de cada um e a minha opinião sobre eles. Dá uma olhada:

-> Veja: os festivais de Paraty

O Carnaval não é dos mais empolgantes. Tem alguns blocos, mas o único que me chamou a atenção por ser diferente é o tradicional Bloco da Lama, na Jabaquara.

Foto: autor desconhecido

No Réveillon, tem queima de fogos nos principais pontos da cidade, mas também não é nada grandioso e a cidade fica bem cheia.

E, claro, o verão todo é alta temporada. Os preços de tudo ficam mais altos, e eu recomendo fortemente que você faça reserva com alguma antecedência! O que mais tem é gente batendo na porta dos hostels e pousadas na sexta-feira e ouvindo o temido “não tem vaga”.

Para os cristãos, outra época legal de conhecer Paraty é durante as festas religiosas. As mais famosas e animadas são a Semana Santa e a Festa do Divino (26/05 a 04/06), tombada como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan.

Onde ficar

Canguru Hostel

Canguru Hostel. Foto: divulgação

Nas duas vezes que eu fui, eu fiquei no Canguru (reserve aqui*), considerado o melhor hostel de Paraty pelo Hostelworld. É uma casa enorme, com rede, cachorros, gato e sala de cinema pra assistir Netflix e jogar Super Nintendo – isso quando você não estiver na praia ou conversando com a galera lá embaixo. Tem um bar sensacional, que recebe vários eventos com música ao vivo.  E pra quem não gosta de dividir quarto, eles tem uma suíte privativa.

Mas se mesmo assim você não curte ficar em hostels, Paraty tem muitas pousadas ótimas. Dê uma olhada no Booking! Como eu não fiquei hospedada e nem conheci nenhuma, não me sinto confortável em fazer recomendações.

* Transparência: esse link é de afiliado do Hostelworld. Se você reservar através dele, eu ganho uma pequena comissão e você não paga absolutamente nada a mais por isso. Eu poderia ganhar a mesma coisa colocando link para qualquer hostel, mas indico o Canguru pela minha experiência pessoal, que foi realmente maravilhosa.

E se você for reservar diretamente com eles, fala que viu no blog When in Rio? Nesse caso eu não ganho comissão, mas é sempre bom! 🙂

O que fazer

Praias

Embora Paraty seja um destino de verão, o que muita gente não sabe é que as praias da cidade não são próprias para banho. Para pegar praia boa, você vai precisar contratar um passeio de barco ou ir para praias nos arredores. Algumas sugestões:

Trindade

Foto: Pousada Cachadaço

O que era uma vila hippie nos anos 70, hoje é inundada por turistas durante todo o verão. Ali tem as praias Brava (e cachoeira de mesmo nome), Cepilho, de Fora, Ranchos, a Praia do Meio, de Cachadaço e as piscinas naturais de mesmo nome. Da Praia do Meio, sai uma trilha para as cachoeiras, incluindo a Pedra que Engole. É uma pedra que tem uma fissura pequena que dá pra passar uma pessoa. E aí você meio que entra na pedra, mas pra quem tá de fora parece que você sumiu. É muito louco, não dá pra explicar bem… hahahaha. Mas é divertido e sem risco nenhum!

-> Dá pra chegar em Trindade tranquilamente de ônibus, que sai da Rodoviária. Horários aqui.
-> Dessas praias, a única que fica antes do Centro da Vila é a Brava e a cachoeira. Então se você não estiver de carro, o ideal é saltar no Centro e fazer o resto do percurso a pé, conhecendo todas essas outras praias.
-> Tem muita gente que prefere se hospedar em Trindade. Lá tem opções de hospedagem, uns barzinhos e restaurantes. Mas te falar que eu acho Paraty mais legal e é super tranquilo fazer o bate-e-volta. Só acordar cedo!

Praia do Sono, Antigo e Antiguinhos:

Foto: autor desconhecido

A Praia do Sono é bem conhecida e tem frequentadores fiéis. É considerada uma das praias mais bonitas da região, mas evite no Réveillon, Carnaval e feriados prolongados, como eu disse no post: não vá à praia do Sono no Réveillon.

-> Lá tem restaurantes que servem PF e bebidas, mas só aceitam dinheiro!
-> É bem tranquilo fazer o bate-e-volta, mas se você quiser ficar mais, tem várias opções de camping e aluguel de casas.
-> Tem água doce também! Na altura da Igrejinha, tem uma trilha para o Poço do Jacaré, a uns 10 minutos da praia.

Como chegar: de carro, vá até o Condomínio Laranjeiras e procure o início da trilha, à direita do ponto de ônibus. A trilha é leve, dá pra fazer em 1 hora. Mas é possível ir de barco também.
De ônibus, pegue a linha Vila Oratório que sai da Rodoviária e desça no ponto final. Horários aqui.

Para chegar em Antigo e Antiguinhos, ainda mais tranquilas e intocadas (não tem camping), vá até o final da Praia do Sono e procure a placa que indica o início da trilha (leve).

– São Gonçalo e Ilha do Pelado

Ilha do Pelado / Foto: Fábio Collares

Outra praia bem bonita, com mar tipo piscina. Dali, você pode pegar um barco para a Ilha do Pelado, que fica bem em frente, por R$20,00 (ida e volta).  Pelo que fiquei sabendo, esses barcos só ficam ali durante a alta temporada e fins de semana. Durante a baixa, é possível pegar o barco pra ilha na Praia de Tarituba.

Como chegar: de carro, use o Waze ou o Google Maps, hahaha. E de ônibus, pegue os que saem da Rodoviária com os nomes São Gonçalo (acho que são só dois por dia), ou então os que vão para Angra ou Parque Mambucaba. Horários aqui.

Foto: autor desconhecido

– Paraty Mirim

Praia de águas verdes e vegetação da Mata Atlântica ao redor: bem típica da região.  Mas com uma particularidade: ali tem uma aldeia indígena. Na estrada, antes de chegar na praia, você pode reparar que tem uma tenda de palha que vende artesanato. E ali do lado, tem a escola bilíngue tupiniquim-português. Vale a visita, mas respeite a cultura local! Não vá só pra tirar fotos, e se o fizer, principalmente se for crianças com o rosto identificável, peça permissão.

Dali, você pode pegar um barco para passar o dia no Saco do Mamanguá, lindíssima região de fiordes, pra Praia Grande de Cajaíba (post completo em breve), praia linda que tem duas cachoeiras próximas e muitas outras opções. Converse com os barqueiros!

Como chegar: também tem ônibus direto para Paraty Mirim, saindo da Rodoviária. Horários aqui.

Cachoeiras

Se pra pegar praia você precisa ir um pouco longe, pra chegar nas cachoeiras é mais simples! Tem muita cachoeira boa em Paraty, e aqui vou destacar as minhas preferidas:

– Cachoeira do Tobogã e Poço do Tarzan
A do Tobogã é a mais famosa de Paraty, e como o nome sugere, dá pra escorregar do alto. Tem até um campeonato de surf na pedra! Bem legal, mas na alta temporada fica bem cheia. Evite ir nos fins de semana, se possível! 


😀

Como chegar: A partir do trevo de Paraty, seguir em direção a Cunha por aproximadamente 7,5 Km. Do lado direito da estrada você verá um marco da Estrada Real, e ao lado uma igreja, chamada Igreja da Penha. Seguindo a pé por uma pequena “trilha” que começa atrás do Centro de Informações Turísticas do Caminho do Ouro, você já chegou. Ali tem um restaurante (bem caro) e alambique artesanal de cachaça.

De ônibus: pegue a linha Penha, saindo da Rodoviária, e peça pra descer na porta da Igreja. É a cachoeira mais fácil de ir de ônibus! Horários aqui.

– Poço da Jamaica: frequentada praticamente só por locais, a Jamaica é um poço de tranquilidade, hehe.

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Como chegar: A partir do trevo de Paraty, seguir em direção a Cunha por aproximadamente 7 Km. Logo após uma bifurcação, há uma pequena porteira do lado esquerdo da estrada (não tem placa). Entrando por esta porteira da foto e descendo uma pequena “trilha” chega-se ao Poço da Jamaica.

Pedra Branca: uma das mais bonitas da região, segundo um guia de turismo de aventura que eu conheci lá. É linda mesmo, e subindo mais dá pra achar uns cantos mais sossegados caso esteja muito cheio na principal. Só cuidado porque ali no alto tem tipo um vale de pedras e foi aonde Mamãe Oxum decidiu levar meu celular pro fundo das águas. Não achei nem pra recuperar o memory card! :O

Foto: www.paraty.com.br

-> Eles cobram uma pequena taxa de conservação na entrada: se eu não me engano, R$5,00.
-> No final do caminho, tem um pedaço de estrada de terra cruel para carros 1.0. Tem muitos que travam!
-> Chegue cedo para evitar a galera dos tours de jipe.
-> Essa cachoeira não é acessível para ir de ônibus!

– Cachoeira da Graúna

Foto: Manuela Hollós/When in Rio

Como chegar: siga pela BR-101 sentido Angra por uns bons quilômetros. Vai aparecer uma saída à esquerda, um pouco depois da Praia Grande e da Prainha. Tem uma placa grande escrito Graúna. Na Estrada da Graúna, perto da Igreja de Santa Cruz, tem um portão de madeira e espaço pra estacionar. Depois disso, tem uma pequena trilha (não dá nem 10 min andando), pra esquerda você chega na parte mais baixa da cachoeira e pra direita na mais alta, que tem um poção enooorme pra nadar muito.

De ônibus, pegue a linha Barra Grande via Graúna da Rodoviária e salte no ponto final. São poucas saídas por dia, então não deixe de perguntar os horários da volta antes!

Onde comer

Paraty tem muitos restaurantes, inclusive alguns super premiados e caros. Se você quiser se dar um presente ou então não tiver problemas de orçamento, vá no Banana da Terra e no Punto Divino. Os dois são unanimidade por lá. Outras boas indicações mas com preço mais razoável são o Thai Brasil e o Café do Canal, para pizza. Já o Van Gogh serve hambúrgueres artesanais, em um ambiente super agradável e com preço bom.

E pra comer barato, já adianto: Paraty é destino de rico. Sério, a maior parte dos restaurantes do Centro Histórico são bem caros. Mas tem uns que tem um preço razoável, e uns realmente baratos, mas pra ir nesses você vai ter que sair do Centro Histórico e ir pra Av. Roberto Silveira, a principal da cidade. Ali tem vários, mas destaco a Detinha Sabores – buffet a quilo com churrasco por R$30 em dia de semana – e o Genarios, em frente à Rodoviária.

Vida noturna

Toda segunda-feira, acontece o Samba da Benção, na Praça da Matriz, a principal da cidade. É de graça*, na rua, a partir das 20h. Quando chove, não tem. O samba é de alto nível, recomendo muito! No final eles ainda distribuem um caldo delicioso pra galera.

Foto: Manuela Hollós/When in Rio

* Eles passam o chapéu. Contribuição consciente! 🙂

 O bar do Canguru Hostel também é outra boa pedida! Fica aberto todos os dias a partir das 18h. E aos domingos, rola a Sunday Sessions, com banda ao vivo e DJ nos intervalos! Não deixe de experimentar os drinks deliciosos que vendem lá, principalmente o Jorge Amado (cachaça Gabriela, maracujá e limão),  o drink típico de Paraty.  

Esportes radicais e aquáticos:

O Paraty Sport Aventura, do lado do trevo, é um parque que oferece várias atividades como arvorismo, tirolesa, rapel, etc. Ainda não fui lá conhecer, mas vale a informação!

A Vale Radical também tem várias atividades diferentes. Eu fiz o passeio de canoa Havaiana, saindo da Jabaquara (R$90,00 por pessoa). No caminho, dá pra parar em praias lindas. Adorei!

Foto: Manuela Hollós/When in Rio

Outros:

Free Walking Tour: todos os dias,  menos quarta, 10h30 (português) e 17h (inglês). O ponto de encontro é em frente à Igreja da Matriz, no Centro Histórico. Achei o tour bem interessante (+- 2 horas), e me deu informações sobre a cidade que eu provavelmente não teria acesso de outra forma. Ao final, você contribui com o quanto puder/quiser.

Templo Goura Vrindavana

Templo Goura Vrindavana
Foto: Isabela Kassow/ Diadorim Ideias

Esse templo ficou na lista para a minha próxima ida à Paraty. Mas quando eu tentei ir, eles me deram várias informações por e-mail e foram super atenciosos. Então, eles ficam abertos pra visitação durante a semana. Por uma pequena colaboração no valor de R$5,00, você pode conhecer o templo, a horta e as cachoeiras que tem dentro da propriedade. Tem também o canto de mantras e leitura do Bhagavad Gita às 18h para os praticantes ou para aqueles que desejam saber mais dessa religião. O almoço no local também está disponível por R$25,00.

Pelo que entendi, eles moram lá em regime de comunidade e tem uma ecovila, com atividades de permacultura, etc. Então quem tiver interesse em ficar lá mais um tempo, pode procurar saber!

De ônibus, pegue a linha Barra Grande via Graúna da Rodoviária e salte no ponto final. São poucas saídas por dia, então não deixe de perguntar os horários da volta antes!

E aí? Vamos para Paraty? Quem tiver outras recomendações de lá, coloca aqui nos comentários!

-> Tá com tempo de férias ainda e procurando o próximo destino? Que tal Ubatuba e suas 102 praias e ilhas? Fica a 1 hora e meia de Paraty. Leia o guia de lá nesse link.

* Preços, horários e endereços podem mudar a qualquer tempo. Não me responsabilizo por qualquer mudança que possa ocorrer entre o momento da postagem e o da sua leitura. Sempre cheque antes e se perceber alguma alteração, me conta aqui nos comentários que eu edito para ajudar os futuros viajantes <3

4 comentários Adicione o seu

  1. Amei o site, parabens!!!

    1. manuelahm disse:

      Oi, Izabella!

      Muito obrigada pelo feedback.

      Beijos,
      Manu

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